quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Rita.

Eu pensava que do amor eu nada saberia,
era uma desilusão aqui e outra lá, não via mais sentido.
Meu coração estava num eterno leva e traz.
A Rita poderia ter levado meu sorriso e meu assunto,
mas preferiu me acertar em cheio no meio do peito.
Tudo, agora, fazia mais sentido.
Descobri que, sem ela, não sei dizer quem sou eu.
Eu pensava que do amor nada saberia, mas agora estou completa.

sábado, 8 de outubro de 2011

Tatuagem

Ela viu o tempo que passou escorrer, em suas mãos, como se fosse uma enorme, e gosmenta, geléia. Não pensou duas vezes e foi ao banheiro lavar suas mãos, pra tentar tirar aquele peso que se encontrava em cada célula de seu corpo.
Apesar da tentativa, sabia que seria impossível tirar aquilo de si, então passou só uma água, como se estivesse tentando dizer a si mesma que havia tentado, e saiu do banheiro.
Num ato desesperado mergulhou e se agarrou em tudo que lembrasse qualquer minuto que fosse de um tempo distante.
Ela não teve sucesso em tentar tirar aquilo dela e percebeu isso.
Não é possível remover uma tatuagem, você pode sobrepor; você pode tentar apagar da sua pele, mas nunca esquecerá a dor e nem que ela esteve ali.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Obrigado por fumar


Talvez eu esteja errada em usar o cigarro como porta de saída pras coisas que passo, só talvez, mas acho que as pessoas deveriam me agradecer por fumar.
É tanta emoção que eu coloco nessa coisinha pequena e branca, tantos pensamentos, raiva, sentimentos, é tanta coisa misturada que uma pessoa em seu melhor estado de espírito não aguentaria.
Alguns lutam pra entender o motivo, outros rezam, ou tentam até apelar pra algo mais poderoso pra que eu pare.
Mas é tão fácil de entender, eu sou tão fácil.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Dois Gatos Pingados

Os olhos, a boca.
Sempre ouvi, na escola, que a matemática é uma ciência exata, talvez eles estejam corretos. A soma do seu corpo  é perfeita, é correta.
Um olho, mais um nariz, mais um olho, seu rosto é um resultado e seu cabelo um detalhe, um lindo e pequeno detalhe.
Acho engraçado quando você teima em seus defeitos, quando nega, até o fim, sua beleza, pra mim. É como se não tivesse conhecimento que até a perfeição exige pequenos defeitos. Pequenos defeitos desenhados para coexistir aos meus imensuráveis, feitos para aceitar os grandes meus. Pequenos defeitos  marcados em meus sonhos, em meus desejos mais secretos e pornográficos.
Há de convir que o sexo é, apenas, uma linda consequência, um resultado do fogo de um amor jovem, e calmo, e livre de qualquer confusão.
Pernas em pernas, dedos em boca, olhos nos olhos, seu peito no meu, vozes em sussurros e ouvidos.
Linda consequência difícil de não imaginar, de não almejar.
É aí que os fins justificam os meios, consegue ver? Consegue ver a linda consequência justificando o amor livre de confusões? Consegue ver que elas somem em meio aos olhos nos olhos, às vozes nos ouvidos?
Talvez consiga me entender.

Fora da lei.

Um suspiro e eu te explico o que é isso.
Nunca fui sequer boa com as palavras exatas, elas me foge de tal forma que o ar vem de relance e fala por mim.
É, talvez um suspiro, realmente, consiga te explicar isso.